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Diário de Pernambuco

segunda-feira, junho 21st, 2010

Um destino nobre ao PET

Material considerado vilão do meio ambiente ganha outras aplicações na construção civil
Ana Cláudia Dolores
anadolores.pe@dabr.com.br
Que destino você daria a uma daquelas garrafas descartáveis de refrigerante? O mínimo que um cidadão consciente faria era jogar o material num recipiente próprio para reciclagem. O inventor paraibano Reginaldo Marinho aliou conhecimentos em engenharia, resistência dos materiais e geometria descritiva à responsabilidade com o meio ambiente para dar um fim inusitado ao produto. Ele criou o módulo estrutural Construcell, um prisma triangular transparente que permite o uso do PET – Polietileno Tereftalato, a mesma resina plástica das embalagens de bebidas – e que tem diversas aplicações na construção civil.

Inventor paraibano Reginaldo Marinho mostra uma das aplicabilidades do Construcell Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A.Press

Para entender a criação do inventor, é preciso visualizar uma obra convencional. As faces laterais da peça atuam como vigas, que, comumente, seriam feitas de metal, madeira ou concreto. “Usar o plástico como estrutura é algo inédito no âmbito da construção civil no mundo. Não existe nem literatura, nem normatização para isso ainda”, evidenciou Reginaldo, que há 12 anos se dedica à elaboração desse projeto. Já a face central do prisma triangular corresponde à cobertura, dando lugar a telhas metálicas ou cerâmicas.

Com uma montagem rápida, por utilizar apenas parafusos para unir as peças, os módulos podem ser aplicados como telhados de moradias populares. Um projeto de habitação de baixo custo ainda não executado foi elaborado pelo inventor, em parceria com o arquiteto Aldênio Barreto, do Recife. Para cobrir uma moradia de 40 metros quadrados, seriam retiradas do meio ambiente 12 mil garrafas PET, em média. “Essa é uma solução que pode ser pensada pelos gestores públicos por incrementar uma atividade social, que é a coleta dessas embalagens, e por dar aplicabilidade a um produto que, se não é reciclado, causa sérios danos ambientais”, assinala Reginaldo Marinho.

O prisma é praticamente inquebrável, tanto que suporta o peso de um adulto sobre sua superfície. Essa é uma das vantagens do módulo feito de resina PET em relação ao vidro. “Dá para ter meninos jogando bola por perto que não há risco de o dono da casa ter prejuízo”, brinca o inventor. Como a estrutura pode ser confeccionada com diversos materiais, se feita com policarbonato, transparente ou colorido, é capaz de resistir a disparos de projéteis de calibre 38. Investir na tecnologia pode significar, também, economia na conta de energia. O plástico permite a passagem de luz e ainda não transfere o calor para dentro da casa, por ser um ótimo isolante térmico. Além disso, a estrutura possibilita a aplicação de placas fotovoltaicas, que transformam luz solar em eletricidade.

O invento pode ser um filão na construção de arenas esportivas para a Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas 2016, que serão realizadas no Brasil. Isso porque os estádios podem ser cobertos completa ou parcialmente com esse material. “O produto é ideal porque permite a fotossíntese do gramado e ainda isola o ambiente acusticamente. É uma oportunidade que o país tem de mostrar que temos uma solução de engenharia nacional, com tecnologia própria”, sugere. O Construcell ainda será lançado no mercado e, por não estar sendo produzido em escala, não pode ter o preço mensurado.

Entenda o módulo Construcell

O que é?A estrutura é um prisma triangular transparente que permite o uso do PET – Polietileno Tereftalato, a mesma matéria-prima das garrafas plásticas de refrigerante

Como se usa?Na construção civil, substituindo materiais convencionais, como concreto e metal. Pode ser usado na cobertura de casas e até de estádios de futebol

Como se faz?1 – A garrafa PET passa por uma usina de reciclagem, que a transforma em pequenas partículas de resina

2 – Essas partículas são colocadas numa máquina injetora, que vai aquecer o produto até seu ponto de fusão de 250 ºC

3 – A resina já derretida é introduzida num molde, de onde a peça é retirada

O Construcell feito com PET

– Com 20 garrafas PET é possível fazer 1 módulo: um triângulo de 1 kg com lados de 50 cm

– Com 12 mil garrafas PET é possível construir todo o telhado de uma casa popular de 40 metros quadrados

Fonte: Diário de Pernambuco

55ª Reunião Anual da SBPC – Recife 2003

segunda-feira, junho 21st, 2010

16/07/2003 – 17h39m
Pesquisador ‘sem-estande’ mostra invento na SBPC

Pedro Marins, especial para o Globo On Line

RECIFE – Depois dos sem-terra e dos sem-teto, surgiu a figura dos sem-estande na 55ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife. O pesquisador independente Reginaldo Marinho está mostrando em um estande “improdutivo”, devidamente ocupado por ele na Expociência, a mostra de ciência e tecnologia paralela ao evento.

– É uma solução estrutural que combina dois fundamentos da engenharia (o arco de compressão e as treliças) e permite a construção de coberturas para grandes vãos, usando plástico reciclado ou poliuretano à base de mamona – descreve Marinho, diante de um protótipo da invenção.

Como vantagens ele destaca o aumento da segurança, da estabilidade da estrutura, o conforto acústico e a possibilidade de iluminação natural usando módulos translúcidos na coberta. Outra alternativa seria a instalação de placas fotovoltaicas, transformando a parte externa do teto numa usina solar.

Marinho está ocupando um dos estandes que ficaram vagos na Expociência e, quando pode, perambula pelo campus da UFPE mostrando seu invento, em um tipo de exposição itinerante.

– Eu precisava só de 50 centímetros para expor e acabei ficando numa área de quatro metros – comemora.

O pesquisador diz que seu trabalho foi premiado em dois salões de invenções em Genebra, na Suíça, e em Londres, em 2000. Segundo ele, a Petrobras estuda a confecção de um protótipo, em parceria com a Universidade Federal da Paraíba.

Marinho disse estar em franca campanha para adoção de seu invento em auditórios e estádios que o Rio de Janeiro vai construir para receber os Jogos Panamericanos de 2007. O pesquisador não tem estande, mas tem orgulho – em um bocado de ambição.

Inventores participarão da Feira do Empreendedor na Paraíba

domingo, junho 20th, 2010

10.10.2003 | 18:15

Salão de Tecnologia

Sebrae dedica ambiente a invenções do Nordeste e mostra que criatividade é característica essencial do empreendededorismo

Dayse Oliveira, com reportagem de Meire Oliveira

João Pessoa – Na primeira Feira do Empreendedor realizada na Paraíba, que acontece de 9 a 12 deste mês, inventores da Região Nordeste contam com um local para expor seus projetos. O espaço foi reservado dentro do Salão de Tecnologia com a presença de expositores do Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Cada inventor tem a oportunidade de apresentar a função e importância do seu produto.

“A intenção da feira é promover oportunidades de negócios e os inventos serão avaliados em relação à viabilidade de fabricação e possíveis parcerias nos custos de produção”, explica o coordenador do Salão de Tecnologia, Fernando Ronaldo. O pernambucano Jorge Ribeiro, por exemplo, apresenta um produto que promete trazer alívio para quem trabalha com computadores. Ele idealizou o Protend, um aparelho que, quando colocado na frente do teclado, dá apoio total para os braços e previne a tendinite e Lesão por Esforços Repetitivos-LER.

O Protend é eficaz, também, para as pessoas que já possuem a lesão. Ribeiro assegura que o produto elimina as dores na hora de utilizar o computador. “Vários médicos e portadores da lesão já utilizaram e aprovaram o produto. Pretendo conseguir parceiros na Feira do Empreendedor para comercializar meu produto”, disse o inventor.

A Paraíba marca presença com Reginaldo Marinho. Ele garante que galpões, hangares, estufas, ginásios, e até casas populares, podem ser construídas com plástico (policarbonato). “Um escudo de 3mm de policarbonato resiste a um disparo de revólver calibre 38, já o vidro à prova de balas de 10mm de policarbonato segura o disparo de fuzil AR- 15”, afirma Reginaldo.

Segundo Marinho, o maior problema é que a produção só pode ser feita em larga escala, o que dificulta o patrocínio. “Com a Feira do Empreendedor, eu quero mostrar aos paraibanos que temos produção tecnológica de boa qualidade. O que nos falta é divulgar e conhecer essa tecnologia”, observa o inventor.

Fonte: Portal do Sebrae

Tecnologia para o dia-a-dia

domingo, junho 20th, 2010

Paraíba, domingo, 04 de junho de 2006
Correio da Paraíba

Tecnologia para o dia-a-dia
Robô substitui empregada doméstica e cadeira de roda pode ser movida pela força do pensamento

Você tem alguma idéia de como será o nosso cotidiano no futuro? Levando em consideração os bilhões de anos de idade da terra, podemos dizer que há pouco tempo, cerca de 500 mil anos, o homem aprendeu a dominar o fogo e “uma dia desses”, em 1876, inventou o telefone. Em 1990, chegava ao Brasil o primeiro celular e hoje é possível ir para qualquer lugar do mundo conectado à internet, através de um computador de mão, o palm top, e robôs prometem facilitar cada vez mais o nosso cotidiano. Para quem gosta de assistir a desenhos animados futuristas, como “os jetsons”, é fácil imaginar robôs substituindo empregadas domésticas.

O inventor paraibano Reginaldo Marinho, já participou de diversas exposições consagradas mundialmente em termos de novas tecnologias e já viu invenções vindas de vários locais do planeta. Não é possível prever o futuro, mas levando em consideração o cada vez mais rápido desenvolvimento tecnológico que acompanhamos, ele arrisca alguns palpites de como será a vida do “cidadão comum” daqui a alguns anos.

O inventor explica que o futuro científico terá como grande aliado uma tecnologia capaz de penetrar na cadeia molecular das estruturas de substâncias e sólidos, reformulando ou criando novos materiais: é a nanotecnologia. Segundo ele, o Brasil participa do universo de 25 países que trabalham com nanotecnologia atualmente, sendo o único da América Latina.

Ele ressalta que a nanotecnologia tem uma tendência fundamental em desenvolver a simplificação dos materiais, deixando-os mais leves, resistentes e proporcionando aos usuários economia de tempo, de espaços e de dinheiro. Ele sugere que as casas serão construídas com plástico ou outro material semelhante, ainda não inventado, ao invés madeira, concreto ou metal. Suas formas arquitetônicas serão arredondadas com portas e janelas eletrônicas e robôs para fazer serviços domésticos, como varrer casa. Hoje em dia, já estão sendo utilizados robôs capazes de cortar grama, movidos por energia solar. Também já existem sistemas que podem reconhecer o horário e a condição de umidade ideais para se acionar a irrigação no jardim, permitindo que o proprietário simplesmente desfrute, sem se preocupar em manter sua área verde.

Sensores da Nasa para cegos

Uma tecnologia está sendo desenvolvida pela Nasa para criar sensores que possam restaurar a capacidade de enxergar de alguns deficientes visuais. Outros estudos estão sendo feitos por pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, a fim de desenvolver um computador “vestível” para deficientes visuais e indivíduos com visão parcialmente comprometida. Com o equipamento, as pessoas serão conduzidas a seu destino e alertadas sobre obstáculos no trajeto.

Celular com espessura de cartão

TVs com telas de plasma já estão sendo desenvolvidas e celulares com funções de máquina fotográfica e computador podem ser encontrados em várias lojas. Futuramente, eles terão a espessura de um cartão de crédito. Outra invenção que proporcionará melhor qualidade vida para deficientes físicos é uma cadeira de rodas que permite ao usuário ficar de pé. A invenção tem as dimensões de uma cadeira de rodas comum e o deficiente poderá olhar as pessoas na mesma altura, melhorar a circulação sangüínea e amenizar alguns males causados por um grande tempo de permanência sentado, como problemas renais e vesiculares, feridas de decúbito – escaras, osteoporose pela compressão óssea e espasmos musculares. Essa cadeira de rodas é fruto de vários anos de pesquisa dos designers da UFRJ, Carlos Mauricio da Costa Ramos e Ricardo da Cunha Fontes.

Indivíduos paralíticos em decorrência de lesões da medula espinhal também serão ajudados pela medicina do futuro. Graças a descobertas fundamentais sobre os fatores que impedem a reconstrução da medula e como combatê-los, a neurociência já sabe como recuperar a medula em ratos.

CARRO A AR, ÁGUA E HIDROGÊNIO

Provavelmente em alguns anos, carros “andarão voando”, mas antes disso, o inventor Reginaldo Marinho acredita que os carros serão movidos a ar ou água. “O hidrogênio é dos mais importantes combustíveis conhecidos e é utilizado em motores de propulsão, para missões espaciais. Retirando o hidrogênio da fórmula da água, podemos ter um dos combustíveis mais baratos do planeta, já que a Terra tem 2/3 de sua superfície coberta de água”, explica.

O ambientalista e inventor francês Guy Negre construiu e vem tentando lançar no mercado um carro movido a ar comprimido, que não provoca combustão e, conseqüentemente, não polui o meio ambiente. Segundo Negre, o ar que sai do cano de descarga é mais limpo do que o que entra, devido à ação de um filtro interno. O carro será pequeno, simples de estacionar, próprio para grandes cidades, e com a ajuda de um compressor elétrico, ele poderá ser reabastecido em casa.

Tecnologia permite comunicação telepática

Outro avanço bem provável na comunicação, diz o inventor Reginaldo Marinho, serão as conversas extra-sensoriais, por telepatia, a serem conseguidas com o estímulo de determinadas áreas cerebrais, proporcionadas pelo desenvolvimento da medicina.

A nanotecnologia, segundo Reginaldo, também permitirá a fabricação de peças moleculares para computadores, deixando-os cada vez menores e mais poderosos. Pesquisadores da inteligência artificial como Marvin Minsky e Herbert Simon acreditam que, devido aos avanços tecnológicos, os computadores serão capazes de tudo, haverá, inclusive, máquinas com a genialidade de Einstein e de Proust. Os computadores terão papel fundamental na educação, já que, provavelmente, cada estudante terá o seu próprio computador portátil em substituição da mochila cheia de livros.

O inventor paraibano acredita que, em poucos anos, a transmissão de energia será realizada por meio de fibras óticas. Atualmente, são por intermédio de cabos de alumínio, que gera uma perda de 30% de energia. “A diminuição do desperdício também é uma meta da tecnologia”, afirma. A instalação de alguns sistemas já permitem que o ar condicionado seja desligado quando portas e janelas são esquecidas abertas e luzes podem ser acesas ou apagadas apenas com a presença de alguém em determinado local ou quando o usuário passa sua chave ou crachá, indicando que está fora ou dentro do prédio.

Cientista mostra que é viável construir casa de plástico

domingo, junho 20th, 2010

Correio de Sergipe – Quarta-feira, 12 de junho de 2002
 

O cientista e inventor, Reginaldo Marinho, mostrou em Sergipe como efetuar construções itinerantes em plástico. O inventor participa do Congresso de Engenharia que termina amanhã no Delmar Hotel.

Marinho lamenta que pesquisas fiquem restritas às universidades

O cientista e inventor, Reginaldo Marinho, apresentou a Sergipe sua nova criação. Ele mostrou como efetuar construções itinerantes em plástico. O inventor foi convidado pelo Sindicato do Engenheiros da Paraíba para integrar o Congresso de Engenharia que termina amanhã no Delmar Hotel. O cientista foi premiado diversas vezes na Europa e garante eu sua nova criação poderá revolucionar o campo de construções dando a possibilidade de se construir casa populares, escolas, hangares, centros de convenções e outros.

A passagem do cientista, que parece por demais com o ator Sean Connery, o eterno 007, levantou grande polêmica entre a categoria, que se reuniu durante os três dias do encontro. Ele já proferiu conferências em Londres e Genebra e agora será o coordenador da 1ª Mostra Brasileira de Invenção, a ser realizada de 13 a 16 de novembro, desse ano, na Paraíba.

Ele observou que essa foi a primeira manifestação de um centro acadêmico reconhecendo a importância da invenção. “O hábito e a cultura brasileira estão ligados somente a papéis e teses. É preciso a prática”, disse Marinho. Afirmou que o Brasil contribui com 2% da produção científica mundial, enquanto que a Europa, totalmente desenvolvida tecnologicamente, produz 45. Segundo Marinho, a Inglaterra integra o grupo dos 10 países que detêm 95% das patentes mundiais.

No Brasil, ele lamenta que as pesquisas fiquem restritas às universidades e centros de pesquisa e tecnologia. O cientista disse que o invento que apresentou a Sergipe e ao mundo é um novo parâmetro de engenharia. As construções podem ocorrer através da reciclagem de embalagens descartáveis, das quais se originam casas populares, ginásios esportivos, espaços culturais.

6º Consenge apresenta inovações

domingo, junho 20th, 2010

Jornal da Cidade – Aracaju, quarta-feira, 12 de junho de 2002
Engenharia
Congresso apresenta inovações

Ele já ganhou prêmios internacionais, mas no Brasil o seu invento revolucionário nunca teve o reconhecimento das autoridades. Mas durante o Congresso de Engenharia, que termina hoje, em Aracaju, o inventor paraibano Reginaldo Marinho veio mostrar o trabalho intitulado “Construcell” – justamente o ganhador de prêmios – , que é na verdade um método inovador de construção, que substitui por plástico as conhecidas estruturas metálicas ou de concreto. O trabalho vem sendo desenvolvido desde o início da década de 90, mas somente em 1997 e que foi patenteado no Brasil e em outros 32 países.

Além de ter vindo a Aracaju mostrar a sua inovação em engenharia e arquitetura, o inventor Reginaldo Marinho quis alertar também para o descaso das autoridades brasileiras. Com todos os documentos arquivados em Cd-rom. Marinho revela que nesses anos de estudo não teve apoio do governo brasileiro, mas quem em contrapartida foi premiado em Genebra e na Itália. O estudioso anunciou também que com o apoio da Universidade federal da Paraíba coordena um evento que vai reunir, em novembro próximo, os maiores inventores nacionais para discutirem suas criações. Mais do que isso: debater a falta de interesse das autoridades com essas produções.

Embora possa parecer extremamente difícil para os leigos em Engenharia e Arquitetura, a invenção de Marinho – se produzida em escala industrial – promete revolucionar o mercado nesses dois segmentos. O Construcell utiliza três fundamentos da Engenharia: a treliça, o arco de compressão e os métodos dos elementos finitos, permitindo a construção de grandes vãos sem usar nenhuma estrutura metálica ou de concreto.

Segundo ele, os módulos são construídos em polímeros injetados em forma de prismas triangulares, auto-estruturados, cujo fundo é triângulo eqüilátero, com duas faces ortogonais e a terceira inclinada com relação à base. Esta inclinação é que definirá a curvatura cilíndrica. O tamponamento desses prismas cria um colchão de ar e oferece ótimo conforto térmico.

Numa explicação mais simplória, Marinho disse que o Construcell é semelhante a um Lego (jogo de encaixe para crianças), em grandes proporções. Como as peças se encaixam umas nas outras, e não são quebradas, não há sobras e, conseqüentemente, desperdício. Marinho afirma que com esse material é possível se construir galpões, casas e vários tipos de edificações. “A montagem é rápida e realizada com mão-de-obra reduzida, vantagens que facilitam principalmente a implantação de projetos emergenciais em casos de catástrofes e abalos sísmicos, que demanda rápida construção de abrigos”, afirmou.

Embora seja considerado engenheiro e arquiteto por profissionais destas duas áreas, Marinho nunca chegou a concluir nenhum desses cursos – fez três anos de Engenharia e dois de Arquitetura. “Sou inventor, estudo profundamente o assunto e gostaria de ver meu projeto sendo implantado em todo o país”, confessa.

Pesquisador critica autoridades

domingo, junho 20th, 2010

Jornal Opção, Goiânia, 1 a 7 de Abril de 2001.

O pesquisador paraibano Reginaldo Marinho critica autoridades do governo FHC de terem rejeitado sua proposta de tecnologia para a área de construção civil

ANTÔNIO LISBOA MORAIS

O Brasil parece padecer de um crônico complexo de inferioridade. Pelo menos em relação ao imaginário dos donos do poder. Esta é a conclusão do inventor paraibano Reginaldo Marinho, depois de percorrer corredores de ministérios do governo Fernando Henrique Cardoso e encontrar as portas fechadas. Esbarrando na má vontade de uns e na desconfiança de outros auxiliares de FHC, Reginaldo Marinho decide apresentar sua descoberta — uma nova tecnologia para a construção civil — à comunidade científica na Itália, onde já desperta o interesse de empresários e de prefeitos. Mas não deixou por menos, resolveu manifestar ao próprio presidente Fernando Henrique Cardoso a sua decepção com as autoridades brasileiras. “Com todo respeito, Excelência, acabou a minha paciência. Depois de bater em tantas portas, todas fechadas e bem travadas, optei novamente pelo exílio voluntário. Na primeira vez, como Vossa Excelência o fez, foi por discordar de uma ditadura militar e agora por discordar de uma ditadura que impede o desenvolvimento nacional”, desabafou, em correspondência de 21 de setembro de 1999.

Aos olhos do leigo, o invento de Reginaldo Marinho passa a idéia de um mero triângulo de plástico transparente, à semelhança dos sinalizadores de defeito em veículos. O criador dá o nome de Construcell ao seu feito. Trata-se, na verdade, de um módulo de policarbonato, que pode receber placas fotovoltaicas em toda a sua superfície. O dispositivo, por ser transparente, permite a injeção de gás neon, conferindo à construção um efeito luminoso incomum. Um dos elementos que compõem a peça é um arco de compressão, um conhecimento que vem dos povos etruscos e foi muito utilizado na construção de catedrais. “Como a engenharia conhece apenas três modalidades de estrutura, que são madeira, concreto e metal, essa estrutura é, além de inovação tecnológica, uma novidade acadêmica porque não existe nenhuma literatura mundial sobre estrutura de plástico”, detalha o inventor.

Construção Limpa — O invento de Reginaldo Marinho é utilizado na construção de armazéns, hangares, silos, ginásios esportivos e escolas, entre outras edificações. “É a arquitetura do futuro porque leva para a obra exatamente o número de peças que vai utilizar. Não tem sobras de materiais. Terminada a construção, o lugar fica limpo, após a colocação da última peça. O módulo está sintonizado com duas tendências mundiais: a energia solar, pois utiliza a placa fotovoltaica, e a reciclagem de plásticos”, explica. Reginaldo Marinho diz que desenvolveu o Construcell em 1997. No ano seguinte registrou a patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI, órgão do Ministério de Desenvolvimento). O objeto foi alvo de três conferências de Reginaldo Marinho na Universidade de Brasília (UnB).

Como forma de chamar a atenção do governo federal para a importância dessa nova tecnologia, o inventor apresentou, em setembro de 1998, sua criação ao Ministério da Agricultura. Nesse campo, o dispositivo poderia resolver, num piscar de olhos, a deficiência de armazenagem do governo, que é superior a 10 milhões de toneladas de grãos. Mesmo com parecer favorável de técnico do Ministério da Agricultura, não houve interesse no desenvolvimento do protótipo. Apesar disso, Reginaldo Marinho não se abateu. Protocolou ofício em 24 de agosto de 1999 ao então ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca. Não obteve resposta. Se o caminho passa pela política, que se busque essa via, raciocinou o inventor. Buscou a ajuda dos deputados Eduardo Jorge (PT/SP), Marcondes Gadelha (PFL/PB), Walter Pinheiro (PT/BA) e Philemon Rodrigues (PMDB/MG), que teriam gasto saliva e tinta sobre papel, junto aos ministros Rafael Greca, Ronaldo Sardenberg (Ciência e Tecnologia) e José Sarney Filho (Meio Ambiente), igualmente sem sucesso.

Kafka Explica
— Um enredo intrigante, cheio de mistérios, surpresas e passagens mirabolantes. Digno de Franz Kafka (escritor alemão nascido na Tcheco-Eslováquia — 1882-1924), como define o próprio inventor. Assim foi a via-crúcis que Reginaldo Marinho enfrentou para mostrar a auxiliares de FHC que seu invento é importante para o Brasil, inserido no mundo globalizado de muita competição. O grande momento para exibir o feito brasileiro era a Exposição de Hannover (Alemanha), que acontecia em junho de 2000. Em janeiro desse ano, a cenógrafa Bia Lessa, responsável pela montagem do stand do Brasil, ainda não havia definido o seu projeto, uma vez que tinha grande expectativa em relação à proposta revolucionária de Reginaldo Marinho.

No dia 25 de maio de 2000, três dias antes da abertura da feira alemã, a assessora da Secretaria Executiva do Ministério da Agricultura, Marisa Borges, envia e-mail para Reginaldo Marinho, exatamente num endereço eletrônico que o inventor não utilizava havia mais de dois anos. A mensagem tinha como objetivo “colaborar” com a divulgação da tecnologia de Reginaldo Marinho na Feira de Hannover. Descoberto o comunicado, um tanto ao acaso, o criador do projeto de nova tecnologia responde ao Ministério da Agricultura. Diz que, já que havia o interesse de ajudar, que se localizasse o projeto que propunha a construção de um protótipo no valor de 400 mil reais, já com parecer técnico favorável. “Quando perguntei para a assessora como tinha conseguido um endereço eletrônico que eu não mais utilizava, ela, muito embaraçada, respondeu que foi o resultado de uma longa pesquisa feita por solicitação do Dr. Paulo Henrique Cardoso (filho do presidente Fernando Henrique). O chefe dela, o secretário-executivo Márcio Fortes, era membro-substituto do comissariado. Como essa informação revelou que o e-mail com o convite tardio tinha sido feito por orientação do filho do presidente da República, não aprofundei o assunto para não criar defesas posteriores”, assinala Reginaldo Marinho.

Academicismo Viciado — Depois de tantas buscas inúteis, Reginaldo Marinho se deparou verdadeiramente com os bastidores do poder. Um submundo real longe do cenário que normalmente a mídia exibe. O desencanto esfriou as pretensões do inventor em relação às autoridades do Executivo federal e serviu para reformular os conceitos de Reginaldo Marinho quanto ao mundo real das invenções no Brasil. “O sistema acadêmico brasileiro é viciado em publicação de teses. Os recursos são pulverizados em estudos que muitas vezes são de conhecimento universal e, quando o estudo é inédito e exclusivo, ao ser publicado nas revistas internacionais, permite o desenvolvimento de tecnologia em países estrangeiros financiadas com recursos do Tesouro brasileiro”, acusa.

Reginaldo Marinho diz que o maior exemplo de descaso dos setores acadêmicos e das autoridades brasileiras quanto aos inventos é o chamado Relatório Inventivo Nacional, do Ministério do Desenvolvimento. Em nove anos, 14 instituições de pesquisa apresentaram 112 pedidos de patente dos quais 60 por cento são do Instituto Paulista de Tecnologia (IPT). Os outros 40 por cento levam à média de 0,3 patentes por instituição, com recursos da ordem de 10 bilhões de dólares anuais. “Esses recursos são aplicados diretamente em pesquisas e bolsas, mas quando se refere à tecnologia, não existem linhas de financiamentos”, critica o inventor.

Cultura do Descaso — O clichê “santo de casa não faz milagre” não teria nascido por acaso. Para Reginaldo Marinho o descaso com as invenções brasileiras está na própria cultura, sobretudo no cotidiano dos setores oficiais responsáveis pelo apoio e desenvolvimento dessas tecnologias. “Esse governo não se interessa por inventos nacionais. Temos exemplos clássicos como o avião. A coisa é tão absurda que o presidente Bill Clinton, dos Estados Unidos, reconheceu, no Itamaraty, que o inventor do avião foi o brasileiro Alberto Santos Dumont. Nenhum veículo deu a informação, a não ser a Radiobrás que transmitia ao vivo. O padre Landel de Moura desenvolveu experiências sobre o rádio receptor na Avenida Paulista e em Jabaquara. Isso seis anos antes de Marconi (o físico italiano Giuglielmo, Bolonha, 1874, e Roma, 1937, Prêmio Nobel de 1909) ter sido aclamado descobridor do rádio”, critica.

A lista de inventores nacionais cujas criações não decolaram por falta de incentivo oficial é extensa. Uma das mais recentes apontadas por Reginaldo Marinho é a do pesquisador Nélio Nicolau (funcionário aposentado da Telebrasília), criador do bina, dispositivo que permite identificar o número do telefone que originou a chamada. Segundo o inventor, esse é um clássico caso de desatenção das autoridades em relação à criação tecnológica no Brasil. Hoje, o bina movimenta um mercado de 8 bilhões de dólares, apesar da falta de apoio oficial. O desprezo para com inventores brasileiros gera às vezes situações cômicas. Reginaldo Marinho recorda-se de ter ouvido de conhecidos engenheiros algo assim: “Seu projeto merece a minha assinatura”. Ele acredita que o Brasil não está mesmo preparado para o sucesso. Só para a fracassomania.

Vilão ambiental


O Construcell de Reginaldo Marinho desponta como um ingrediente futurista e politicamente corretíssimo: ele possibilita a reciclagem de plásticos com larga utilização na construção civil. A esse respeito, conta o inventor, foram realizados estudos no Instituto de Química da UnB sobre o polietileno tereftalato (PET). Trata-se da resina com a qual são fabricadas as embalagens de refrigerantes. A propósito, essa liga transformou-se numa espécie de vilão mundial do meio ambiente. Na verdade, a Organização Mundial de Saúde (OMS) proíbe a reutilização de plástico reciclado em embalagens de alimentos porque eles contêm microorganismos que podem transmitir doenças, observa o inventor.

A espinhosa caminhada de Reginaldo Marinho incluiu também a Coca-Cola, em Brasília. Segundo ele, o diretor de Relações Institucionais da empresa, Jacques Correia, teria achado interessante o projeto da construção de plástico. Tanto que teria também determinado uma avaliação do invento. “A Coca preferiu o projeto de reciclagem de plástico para reutilização, abandonado na Europa. Entregou-o ao deputado federal Gabeira (Fernando Gabeira, líder do Partido Verde, Rio de Janeiro), na Câmara Federal, que embarcou nessa”, critica. O projeto consiste de uma espécie de cilindro destinado à fabricação das garrafas de refrigerante. Ele prevê uma camada de plástico virgem entre duas camadas de plástico reciclado. “A impermeabilidade do plástico, na verdade, não existe. Os micróbios podem ultrapassá-lo e contaminar o conteúdo da garrafa. Por que não se tem garrafa de plástico de cerveja e de vinhos? Existe uma perda. A cerveja perde gás e o vinho se oxida”, analisa. O único ponto em comum entre o Construcel e a embalagem de refrigerante, destaca o inventor, é a composição plástica. Em termos ecológicos eles constituem antítese. (Antônio Lisboa Morais).

Invento foi para a Itália

Sentindo-se rejeitado em seu próprio país, o paraibano Reginaldo Marinho foi buscar refúgio na Itália. De lá, sua invenção tem repercutido. Rendeu ao pesquisador medalhas de ouro no 28º Salão de Invenções de Genebra (Suíça) e na BBC Tomorrow’s World Live (Londres), respectivamente em abril e em junho de 2000. O prefeito da cidade de Buccinasco, Guido Lanati, decidiu utilizar a tecnologia de Reginaldo Marinho na construção de um ginásio de esportes.

Nascido em Sapé (PB), Reginaldo Marinho, um sósia do ator Sean Connery, ingressou na Faculdade de Engenharia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), aos 17 anos. Aos 18 foi contratado para dar aulas de geometria descritiva, na mesma faculdade. Abandonou o curso no 3º ano: “Por não me adaptar à monotonia acadêmica e à falta de criatividade do curso”. Foi para Brasília, onde estudou arquitetura na UnB, encontrando a universidade totalmente desfalcada de seus melhores professores, após a invasão de 1968, em pleno regime militar. Outra vez desencantado com o mundo acadêmico, deixou o curso e foi dedicar-se à publicidade. Atuou como fotógrafo e jornalista.

Atualmente, Reginaldo Marinho mora na Europa. Divorciado, dois filhos, trabalhou na Interview de Madri, onde fotografou a abertura espanhola. O Senado Federal publicou o livro Espanha Via Democrática, com fotos de Reginaldo Marinho, em homenagem ao ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González. De passagem por Goiânia, onde fez palestra, a convite da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Reginaldo Marinho está exercendo a sua veia de consultor de marketing. Atualmente está desenvolvendo contatos com empresários italianos para buscar uma abertura na Europa para produtos brasileiros como carne, couro, café e trigo. Já manteve encontro com representantes de 36 hipermercados e 65 supermercados que manifestaram interesse nos produtos de Goiás. É uma espécie saudável de vingança que o inventor faz para com o país (ou algumas autoridades) que o desprezou. (A.L.M.)

Gabeira desconhece projeto

O deputado federal Fernando Gabeira não falou à reportagem, por estar acompanhando o caso do afundamento da plataforma P-36 da Petrobrás, no Rio de Janeiro. No entanto, sua chefe de Gabinete, Jaqueline Martinelli, em Brasília, assegura que o deputado do Partido Verde desconhece o projeto de interesse da Coca-Cola, que estaria no Congresso Nacional, e que teria sido priorizado em detrimento do Construcell, conforme afirmação de Reginaldo Marinho. A assessora, por cujas mãos passam todos os projetos de Fernando Gabeira, observa que a única iniciativa do parlamentar em relação à reciclagem de lixo, no momento, é o Projeto de Lei nº 3.750/97, que estabelece normas para a destinação final de garrafas plásticas e sugere outras providências.

A reportagem do Jornal Opção ouviu a assessora da Secretaria-Executiva do Ministério da Agricultura, Marisa Borges. Ela não quis falar sobre a acusação (de omissão em relação à participação do inventor na Feira de Hannover) de Reginaldo Marinho. Mas indicou o assessor de imprensa “Doutor Miguel”, do Ministério da Agricultura. Apesar de várias tentativas (via telefone), não foi possível falar com o assessor Miguel. Da mesma forma, o diretor de relações internacionais da Coca-Cola, em Brasília, Jacques Correia, não deu retorno às ligações. (A.L.)

Mentes que brilham

domingo, junho 20th, 2010

Correio da Paraíba

Paraíba, Domingo 19 de agosto de 2001
Mentes que brilham
Paraíba poderá criar Núcleo Internacional de Gênios para estimular pesquisas científicas
Chico Noronha

A Paraíba poderá abrigar um “núcleo de cérebros”, com cientistas e inventores de todas as partes do mundo que se encontram desvalorizados em suas próprias nações de origem. Exatamente como acabam de oficializar o Governo alemão e pensam em tornar realidade dentro em breve os italianos, movidos pelo polêmico Sílvio Berlusconi e o movimento direitista Força Itália. Quem defende essa proposta é o paraibano atualmente radicado em Milão, na Itália, Reginaldo Marinho, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Inventores e da Propriedade Industrial, que desenvolveu uma tecnologia revolucionária em estrutura de plástico (policarbonato).

Ele disse que já esteve duas vezes com o governador José Maranhão para tratar do assunto que colocaria o nosso Estado no mapa-mundi das pesquisas científicas e afirma ter conquistado o aval do reitor da UFPB, Jader Nunes, que de pronto teria colocado os estudiosos daqui inseridos nesse projeto transformador da realidade regional em que nos encontramos: de quase distanciamento das decisões políticas sobre quais os projetos o Brasil deve priorizar e investir nessa área e conseqüentemente dos equipamentos, cursos de aperfeiçoamento, e recursos financeiros para que se possa efetivar um trabalho melhor estruturado.

Reginaldo mora e trabalha na Itália desde abril do ano passado e conquistou uma medalha de ouro no Salão 2000 de Invenções de Genebra, na Suíça, considerado o evento mais importante em termos de exibição de invenções no plano internacional. Ele apresentou naquela vitrine uma tecnologia que serve para construção de ginásios esportivos, hangares, escolas, espaços culturais, armazéns, silos, e outras aplicações sem utilizar nenhuma estrutura convencional. Recusou propostas de trabalho dos governos da Austrália, África do Sul e Suíça e na semana passada recebeu um pedido de orçamento para a primeira construção do mundo feita toda em policarbonato, de um sindicato de uma comune (prefeitura municipal) da província de Milano, na Itália, onde sempre desejou radicar-se.

O Núcleo de Cérebros não representa novidade no mundo moderno, considerando-se que países como a Inglaterra e o Canadá já vivenciam essa experiência. O que importa mesmo é que esse centro de pesquisas mudaria radicalmente a situação desse setor em nosso país: o Brasil tinha cerca de 30 patentes aprovadas há 20 anos nos Estados Unidos e hoje contabiliza apenas 96, enquanto países que investiram mais seriamente já somam cerca de 3200 aprovações, como é o caso da Coréia.

Interesse do Governo

Estamos prontos para entrar nessa guerra – foi essa a reação de José Fernandes, secretário da Indústria, Comércio, Turismo, Ciência e Tecnologia, ao confirmar que o Governo paraibano tem conhecimento da proposta defendida por Reginaldo Marinho e que envidará todos os esforços para reunir em nosso Estado tantos cérebros quantos se mostrarem interessados em formar aqui um “Núcleo de Gênios”.

José Fernandes destacou que já se encontrou duas vezes com o inventor paraibano e que sua proposta, inclusive, está sendo analisada no âmbito da CINEP- Companhia de Industrialização do Estado da Paraíba.

Para que tal projeto saia do campo das idéias e vire realidade José Fernandes sugere que Marinho volte a procurar técnicos e dirigentes dos órgãos estatais que militam na área da tecnologia: “sem dúvida, com sua experiência, atuando até mesmo numa entidade representativa da sua categoria, ele tem muito a contribuir. Além de tudo isso, o que nos interessa é firmarmos parcerias que ajudem cada vez mais a Paraíba a crescer”.

O secretário estadual tem conhecimento da nova postura adotada recentemente pelo governo da Alemanha e defende que o governo paraibano tem demonstrado todo o interesse em fomentar esse tipo de atividade.

Aprovação de patentes

A produção tecnológica brasileira é insignificante e apresenta um índice vergonhoso no que se refere à aprovação de patentes. A situação é tão caótica que as instituições públicas recebem recursos que chegam atingir 1,4% do PIB nacional e obtém uma conversão de 0,3 patentes anuais por cada núcleo produtor. Isso é um absurdo, quem pensa assim é o inventor paraibano Reginaldo Marinho, atualmente radicado na Itália, onde chegou a sugerir ao conglomerado que partidos que levaram Sílvio Berlusconi de novo ao poder político a desenvolver um projeto de agrupamento e real incentivo de cientistas e inventores de todo o mundo em terras italianas.

A idéia de Reginaldo Marinho foi assumida recentemente por outro importante povo europeu, haja vista que o governo alemão propôs que seu país receba pelo menos 50 mil imigrantes por ano como forma de suprir a carência de mão-de-obra devidamente especializada Esse projeto acontece justamente num momento em que eclode na Europa o aprofundamento do debate sobre uma maior abertura da imigração e conseqüentemente da fuga dos chamados cérebros pensantes e criativos dos países mais pobres.

Sem vocação

Não existe uma vocação brasileira para saber lidar com tecnologia própria, acrescenta Reginaldo Marinho, que estudou ainda Comunicação Social durante a ditadura militar, no Distrito Federal, e mostrou exposições fotográficas suas em diversos pontos do Brasil. Ele afirma que embora já tenha realizado palestras no mestrado de estruturas e no curso de arquitetura da Universidade de Brasília, no Instituto de Desenho Industrial, ele quer manter o distanciamento do meio acadêmico, até o momento em que a Universidade não restabelecer uma via de mão dupla com o conjunto da sociedade.

Reginaldo destaca ainda que o que ocorre no mundo hoje em dia é totalmente inverso ao que acontece no Brasil. Para se ter uma idéia, há cerca de 20 anos, quando o mundo passou a falar sobre os tigres asiáticos, a Coréia tinha 30 patentes registradas nos Estados Unidos e agora alcança a marca das 3200 patentes enquanto o Brasil não passa das 96. Poderia Ter 97, caso a desenvolvida por Reginaldo Marinho já tivesse sido aprovada. Isso revela que a orientação coreana estava correta ao investir bem mais em educação e pesquisa, visando o desenvolvimento tecnológico.

Sabe-se que a produção científica brasileira atinge apenas 1% da produção mundial e essa posição representa uma larga produção para um país periférico, mas se avaliarmos ao mesmo tempo os resultados dessa produção com os olhos voltados para a questão tecnológica perceberemos que o Brasil tem um comércio mundial de tecnologia equivalente a 0,005% do PIB nacional, enquanto nos Estados Unidos a comercialização de tecnologia equivale a 4% do PIB americano.

Nos EUA 30% dos cientistas estão atuando nos centros de pesquisas e 70% no setor privado. No Brasil ocorre o contrário e 90% dos cientistas encontram-se atuando nas instituições públicas e apenas 10% no segmento privado. Essa situação demonstra o desinteresse do empresariado nacional, habituado a adquirir tecnologia já em desuso pelos países fornecedores, gerando com isso uma baixa competitividade na indústria nacional.

A manjedoura do vizinho

sábado, junho 19th, 2010

O Norte – João Pessoa, quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2000

WJ Solha

O filme “A Vida de Brian” – de Terry Jones – conta a estória de um sujeito que teria nascido na manjedoura vizinha à de Jesus. Nela, há uma passagem sacaníssima de colonialista, mas nem por isso menos hilariante, em que – numa reunião do Movimento Pela Libertação da Palestina – o orador esculhamba com os romanos, dizendo que sugavam todas as riquezas do país, sem nada lhe dar em troca, ao que Brian pede um aparte:

– Fizeram os aquedutos – ressalva.

– Certo – admite o outro – Os imperialistas romanos levam tudo que é nosso e – fora os aquedutos – nunca nos deram nada em troco.

– Fizeram os esgotos – Brian acrescenta.

– Certo – recomeça o outro – Fora os aquedutos e os esgotos…

– Fizeram as termas.

– Certo: fora os aquedutos, esgotos e as termas… E a coisa vai por aí. Esse é o BRASIL 500 ANOS que se pretende comemorar revendo “True Lies” pela DirecTV num Toshiba, saboreando big-mac com Coca-Cola, ar condicionado da Philco ligado.

Reginaldo Marinho, paraibano, me contou por telefone que andou, também, pedindo aparte na cena de “A Vida de Brian” – versão Brasil – que foi encontrar naquela moderna Jerusalém, que é Brasília, pra falar de seu Construcell, mas o Governo não quis ouvi-lo.

Quatro conferências na UnB. Nada. “Então resolvi protocolar, em 24 de agosto de 1999, um documento oferecendo oficialmente – para ser usada no pavilhão do Brasil na Expo 2000, em Hannover – a revolucionária tecnologia que desenvolvi, com pedido de patente em 32 países”. “A engenharia conhece – ele explica – apenas três modalidades de estruturas: de madeira, metálica e de concreto”.

A dele será de plástico, permitindo a construção rápida de grandes vãos – sem colunas internas – cobertura transparente, com as vantagens das características mecânicas e físicas do policarbonato, resultando em edificações seguras, leves e belas – para ginásios de esportes, hangares, armazéns, galpões industriais, silos, estufas para piscicultura, centros de convenções, espaços culturais, templos – em especial projetos envolvendo energia solar.

Ou o Governo prova que essa invenção – digna de quem nasceu na manjedoura vizinha – é inviável, ou fica provado que inviável é ele próprio – Governo. Sem tirar nem pôr.

Ouçamos Reginaldo

sábado, junho 19th, 2010
 
O Norte – João Pessoa, terça-feira, 22 de fevereiro de 2000

 

Ouçamos Reginaldo!…

Evandro da Nóbrega

 

Seria bom que a Paraíba desse sua decisiva ajuda para fazer cessar a peregrinação insólita a que o Brasil submete faz anos o paraibano Reginaldo Marinho. Ex-presidente nacional da Associação Brasileira dos Inventores e da Propriedade Industrial, autor de artigos sobre temas afins, consultor de marketing e professor de geometria descritiva, vivendo no Sudeste e Brasília, Reginaldo criou o Construcell, “moderno método de construção autoportante, que utiliza dois fundamentos da engenharia: a treliça e o arco de compressão, permitindo a construção de grandes vãos sem a necessidade de estrutura metálica ou e concreto, mas com as características de cascas cilíndricas”.

Em vão amarga ele a odisséia de percorrer ministérios em busca de apoio para a invenção, sem paralelo no Mundo. Tenta mostrar a uns e outros que seus módulos “são construídos em polímeros injetados, em forma de prismas triangulares, auto-estruturados, cujo fundo é um triângulo eqüilátero, com duas faces ortogonais e a terceira inclinada com relação à base, o que define a curvatura cilíndrica”. Como explica, “o tamponamento desses prismas cria colchão de ar, oferecendo ótimo conforto térmico”, porque “as resinas modernas podem ser protegidas contra as ações dos raios UV e do fogo, tornando essas construções seguras, leves e belas”.

A estrutura “pode usar pigmentos de cores variadas ou até ser transparente, como o policarbonato, em seu estado original”. Fabricados em plástico, os módulos são perfeitamente articulados e desenhados para resistir a ventos até 120km/h. Ensaio realizado por programa de análise estrutural obteve coeficientes de segurança superiores a 2.8. Essas construções “podem se destinar ao uso em ginásios esportivos, hangares, armazéns, galpões indústria, silos, estufas para piscicultura, casas de vegetação e coberturas as mais diversas, em especial projetos envolvendo a energia solar”.

“Nosso complexo de armazenamento tem déficit de 10 milhões de toneladas e a falta de armazéns reduz sensivelmente a força comercial dos pequenos e médios produtores rurais”, justificando-se o uso do Construcell, “aplicável na construção de armazéns, silos e estufas”. Tudo foi apresentado sem êxito ao Governo Federal, desde 1998, embora tal tecnologia “pudesse equacionar rapidamente o déficit de armazenagem”, já que “permite erguer coberturas de grandes vãos transparentes, adequadas à implantação de placas fotovoltaicas, o que viabiliza a captação de energia solar em regiões remotas”. Com relação ao esporte e lazer, “pode ser usado em ginásios e quadras esportivas, centros de convenções e espaços culturais”.

Também na indústria, viabiliza-se a idéia por permitir “a construção de amplos vãos livres, possibilitando a instalação de plantas industriais modernas, sem colunas internas”. Igualmente propício ao uso militar, o Construcell, de montagem rápida, “tem as vantagens das características mecânicas e físicas do policarbonato, resultando em construções robustas, resistentes a disparos de projéteis, com resultados já aferidos através e testes balísticos. Pode da mesma forma ser usado em hangaretes, paióis e alojamento de emergência. no que respeita à aviação, o Construcell “permite construir hangares, galpões para armazenagens de cargas”. O mesmo ocorre com relação a templos religiosos, “que podem ser erguidos totalmente livres de colunas internas”.

Com tantas vantagens, o Construcell não sensibiliza Ministérios. Depois de “bater em tantas portas fechadas”, Reginaldo pressente que a significativa descoberta pode ser patenteada nas estranjas. Paciência tem fim e ele se decidiu pelo “exílio voluntário”: regressou à Paraíba, com a amargura que o Padre Azevedo sentiu ao ver seu protótipo de máquina de escrever pirateado por sabidos irmãos ianques. “já realizei quatro conferências na UnB sobre minha tecnologia. O produto é também valiosa contribuição acadêmica, vez não existir nenhuma literatura mundial sobre estrutura de plástico. A Engenharia conhece apenas três modalidades de estruturas: de madeira, metálica e de concreto”.

Há tempos, oferece ele o invento ao Governo brasileiro, mas “não houve receptividade e resolvi protocolar, em 25/08/99, documento oficialmente ao Governo central (para ser usado no pavilhão do Brasil na Expo 2000, em Hanôver) a revolucionária tecnologia que desenvolvi, com pedido de patente em 32 países”. E, “se essa tecnologia receber placas fotovoltaicas em toda a superfície ou injeção de gás neon, freon ou qualquer outro que se ilumine na presença de descarga elétrica, resultando em construção inteiramente luminosa, transformar-se-ia no ponto de maior atração da Expo”.

O projeto mostraria lá fora que o Brasil é capaz de produzir tecnologia mundial gerando emprego e renda. Sua exportação traria divisas para o País, inclusive porque “produzimos 11 mil ton/ano de policarbonato e a implantação essa tecnologia criaria uma demanda de 100 mil”. Reginaldo lembra ”vários exemplos de inventores e cientistas que perderam patentes por falta duma política de valorização da tecnologia nacional: Santos Dumont (avião), Pe. Azevedo (máquina de escrever), Pe. Landell de Moura (rádio), Nélio Nicolai (Bina), Sérgio Ferreira, professor que sofreu pesquisando os efeitos do veneno da jararaca nos humanos, só para ver o trabalho, após publicar seus resultados, patenteado por laboratório europeu que fatura US$ 1,5 bilhão anuais com tal patente. “O BC e o pesquisador deixam de receber US$ 30 milhões por ano em função desse descaso. Até quando perderemos nossos inventores, cientistas e patentes?”.

Não há por aqui um cristão que possa ao menos ouvir Reginaldo?

Mostra de invenções

sábado, junho 19th, 2010

Jornal O Norte – João Pessoa quinta-feira, 25 de Março de 2004

Oduvaldo Batista

O inventor paraibano Reginaldo Marinho, mais conhecido na Europa do que aqui em nosso País, lamentavelmente, apesar da falta de apoio dos governantes nossos, na sua luta pelo desenvolvimento de tecnologia, não desanima e, agora está empenhado com todas as forças para fazer um evento em nosso Estado. Como ele enfatiza a realização “poderá colocar a Paraíba num rico cenário com as perspectivas concretas de mudar a situação de atraso e pobreza”.

Em artigo escrito há mais de um ano, este repórter mostrou a importância da tecnologia para o desenvolvimento de qualquer país, referindo-se ao incansável trabalho de Reginaldo, para conseguir a adoção de medidas, pelo Governo brasileiro, no sentido de maior atenção, de forma concreta, para o progresso tecnológico do Brasil. Procurando chamar bem a atenção, dei àquele artigo esse título: “Tecnologia ou morte”. É evidente. Se o nosso país entrar na prática da tecnologia, jamais se desenvolverá.

Reginaldo Marinho, em correspondência a este repórter, e também em conversas por telefone, lembrou que o Brasil já foi a oitava economia mundial, está perdendo espaço para países que decidiram investir na competitividade tecnológica. E – acentua- a tecnologia é realmente a atividade humana que gera mais riqueza entre todas as conhecidas e lícitas.

Merece atenção especial dos nossos governantes e afinal, de toda a sociedade, esta afirmação do consagrado inventor: “O descompasso tecnológico brasileiro é assustador e a curva de pagamento de royalties cresce perigosamente: No início de 1990, pagávamos US$ 600 milhões; em 1998, essa despesa foi para US$ 1,8 bilhões; hoje, já ultrapassa US$ 3 bilhões.”.

Dentro das condições de um simples repórter, faço o possível para que, desta vez, a Paraíba realize o desejado evento. Que não se repita o ocorrido em 2002 quando, a convite do professor Orlando Villar, Reginaldo organizou a I Mostra Brasileira de Invenções. Como enfatiza ele: “Foi um fracasso, não consegui apoio de ninguém. Procurei vários órgãos, mas não encontrei receptividade em nenhum lugar”. E acrescentou: Minha experiência é internacional (ex-professor de Geometria Descritiva em Brasília).”

Espero que, este ano, as forças vivas da Paraíba se mobilizem de todas as formas possíveis para a realização da Mostra Brasileira de Invenções. Iniciativa da Maior importância no esforço do governo para a retomada da economia, e colocar a Paraíba na vanguarda do desenvolvimento tecnológico.

Tecnologia ou morte

sábado, junho 19th, 2010

O Norte – João Pessoa, terça-feira, 23 de julho de 2002


Oduvaldo Batista

Uma colega deu-me grande prazer, apresentando-me o inventor Reginaldo Marinho, paraibano de Sapé. Surpresa agradável. A satisfação é maior porque ele, um grande amante do Brasil, eu já o conhecia de nome, pelos jornais. No meu pequeno arquivo, encontrei um artigo de Eliane Cantanhede (Folha de São.Paulo, 14-5-00) e uma página inteira do Jornal do Brasil (7-5-00). Acompanho Reginaldo Marinho e sua luta para contribuir com o desenvolvimento do Brasil, o que só é possível através da tecnologia.

Nosso conterrâneo vem sendo “escanteado” em sua Pátria que tanto ama.
Eliane fecha seu artigo confessando que, neste País, “governo, iniciativa privada e jornalistas, como eu, pecamos pela omissão. Parabéns, Reginaldo Marinho! E mil desculpas”…

O Jornal do Brasil, na página inteira de Internacional, destaca despacho de Roma, com esta chamada na primeira: “Europa acolhe invenção que Brasil esnobou” – “Esnobado pelo governo e pela iniciativa privada no Brasil, o inventor paraibano Reginaldo Marinho contraiu dívidas e partiu para a Europa. A ousadia funcionou: a estrutura que criou, considerada revolucionária para a construção de edificações, ganhou o primeiro lugar num concurso internacional realizado na Suíça, e apoio para ser posta em prática”.

O correspondente do JB, em Roma, Araújo Netto, entrevista Reginaldo Marinho, de onde transcrevo pequeno trecho: “… O empresário brasileiro talvez seja o mais ‘globalizado’ do mundo. A ele não importa que nos últimos cinco anos o País tenha aumentado oito vezes os gastos com a importação de tecnologia. Segundo dados do IPEA, atualmente (maio de 2000), o Brasil gasta mais de US$ 1 bilhão por ano em importação de tecnologia.

Hoje temos milhares de pesquisadores e inventores em atividade por todo o País, isolados, sem qualquer apoio governamental, financiando-se com seus próprios recursos – criando produtos e tecnologias sem a menor possibilidade de viabilizá-los.

Temos mesmo casos escandalosos de descobertas e invenções feitas por brasileiros, expropriadas e exploradas indevidamente por empresas e grupos internacionais, sem que nosso governo esboce sequer uma reação de protesto. Casos como o da longa pesquisa do professor Sérgio Ferreira sobre a influência do veneno da jararaca no organismo humano”…

O correspondente do JB em Roma conclui sua excelente matéria enfatizando que “o descaso do Brasil pela tecnologia brasileira se deve unicamente à preguiça e ao comodismo das suas lideranças políticas e econômicas.”

Este é um aspecto. Bem menor! O motivo principal desta boicotagem contra os nossos inventores tem um objetivo mais criminoso, pior para os destinos da nossa Pátria: é a permanência dos países do Terceiro Mundo, os dependentes, os colonizados, no subdesenvolvimento.

Atualmente, uma Nação só pode se desenvolver com tecnologia. Antes era a industrialização, mesmo na era das caldeiras a carvão. País industrializado é sinônimo de rico. Agora, estamos no ciclo da tecnologia. Eles (Washington, Ottawa, Berlim, Londres, Paris, Roma e Tóquio) não querem nosso desenvolvimento e para isto fazem o que podem.

Um povo que não tem tecnologia está condenado à morte. Por tudo isto, nós temos o dever de, pelo menos, divulgar e apoiar a luta de Reginaldo Marinho.

Centro de Convenções da Paraíba

sábado, junho 19th, 2010

 

Inventor propõe uso de tecnologia inovadora
Jornal da ParaíbaParaíba, sexta-feira, 26 de março de 2004
INOVAÇÃO – Estrutura pode ser desmontável e fixada com parafusos 
CRÉDITO: Odinaldo Costa

CENTRO DE CONVENÇÕES

Inventor propõe um projeto revolucionário 

Uma estrutura totalmente transparente, sem material metálico, construída com módulos em forma de prisma, em uma área que pode ser maior que o Espaço Cultural, sem necessidade de colunas. Esta é a ousada proposta do inventor Reginaldo Marinho para a construção do Centro de Convenções que o governo pretende construir no Cabo Branco

  • ALINE OLIVEIRA

Uma estrutura totalmente transparente, sem material metálico, construído com módulos em forma de prisma, em uma área que pode ser maior que o Espaço Cultural, sem necessidade de colunas. Esta é a proposta ousada do inventor Reginaldo Marinho para a construção do Centro de Convenções que o governo do Estado pretende construir no Cabo Branco. A tecnologia foi criada por ele, que é paraibano, e premiada com medalha de ouro em mostras realizadas em Londres e Genebra. E se o projeto for aprovado, será a primeira construção a utilizá-la em todo o mundo.

O conceito de transparência é muito utilizado pela arquitetura moderna. “Mas a nossa tecnologia é um passo além do que está sendo feito pelo mundo”, garante Reginaldo. Além da inovação estética, a estrutura pode ser desmontável e fixada com parafusos. Segundo o inventor, a tecnologia oferece até três tipos de módulo: translúcidos, transparentes e opacos. Dessa forma pode-se jogar com a iluminação de acordo com as necessidades, que exige um projeto específico para esse tipo de estrutura.

Os módulos podem ser produzidos em materiais diversos. Uma das possibilidades é fabricá-los em plástico reciclado combinado com carbonato de cálcio, metal muito abundante na Paraíba. Isso permite que a estrutura tenha custos de acordo com as possibilidades do projeto. Aliás, o plástico pode ser substituído por outros materiais que também ofereçam opção da transparência, como o vidro. Quanto aos custos, Reginaldo lembra que tudo tem um preço. “Beleza é cara, todo mundo sabe, mas existem alternativas baratas que podem oferecer resultados semelhantes”, garante.  

  • Interação com natureza é uma das vantagens

A interação com a natureza também é uma das vantagens apontadas pelo inventor para a tecnologia criada por ele. Além de poder utilizar plástico reciclado, a necessidade de um sistema de refrigeração pode ser resolvida com a combinação dos módulos com placas de energia solar. “A gente tem sempre que resolver esses problemas com criatividade e aliando as novas tecnologias e a preocupação com a natureza é uma tendência mundial”, acredita.

A estrutura também oferece um maior conforto acústico já que, segundo o inventor, os módulos evitam a reverberação do som, eliminando a ressonância. Ele lembra que as estruturas metálicas são muito barulhentas e podem atrapalhar o resultado do tratamento acústico. “A natureza dessa estrutura que criei já corta a difusão do som e garante um conforto muito maior para os ouvidos de quem está lá dentro”, garante.

Reginaldo apresentou sua tecnologia à vice-governadora Lauremília de Lucena durante a Feira do Empreendedor do Sebrae, no final do ano passado. “Ela se encantou com o projeto, pegou meu contato e me garantiu que repassaria as informações para o governador”, explicou. Agora ele está esperando uma oportunidade de apresentar pessoalmente suas idéias para o Centro de Convenções. Ele acredita que, sendo aprovado, a construção vai se tornar um cartão postal para o Estado. “Além de ser tecnologia daqui, vai ser um ponto turístico com referências no que há de mais moderno na arquitetura do mundo”, diz. (AO)

A interação com a natureza também é uma das vantagens apontadas pelo inventor para a tecnologia criada por ele. Além de poder utilizar plástico reciclado, a necessidade de um sistema de refrigeração pode ser resolvida com a combinação dos módulos com placas de energia solar. “A gente tem sempre que resolver esses problemas com criatividade e aliando as novas tecnologias e a preocupação com a natureza é uma tendência mundial”, acredita. 

A estrutura também oferece um maior conforto acústico já que, segundo o inventor, os módulos evitam a reverberação do som, eliminando a ressonância. Ele lembra que as estruturas metálicas são muito barulhentas e podem atrapalhar o resultado do tratamento acústico. “A natureza dessa estrutura que criei já corta a difusão do som e garante um conforto muito maior para os ouvidos de quem está lá dentro”, garante. 

Reginaldo apresentou sua tecnologia à vice-governadora Lauremília de Lucena durante a Feira do Empreendedor do Sebrae, no final do ano passado. “Ela se encantou com o projeto, pegou meu contato e me garantiu que repassaria as informações para o governador”, explicou. Agora ele está esperando uma oportunidade de apresentar pessoalmente suas idéias para o Centro de Convenções. Ele acredita que, sendo aprovado, a construção vai se tornar um cartão postal para o Estado. “Além de ser tecnologia daqui, vai ser um ponto turístico com referências no que há de mais moderno na arquitetura do mundo”, diz. (AO)

Paraíba, domingo, 28 de março de 2004

______________________________________Em Foco

Gisa Veiga com redação

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  • O inventor Reginaldo Marinho pede para a coluna reparar um detalhe na matéria publicada sexta-feira sobre a apresentação que fez de sua invenção na Feira do Empreendedor, no ano passado. “Na verdade, a apresentação foi para a primeira-dama Silvia Cunha Lima e não para a vice-governadora Lauremília Lucena”.

Núcleo de gênios na Paraíba

sábado, junho 19th, 2010

O Norte – João Pessoa, domingo, 04 de novembro de 2001

Núcleo de gênios na Paraíba

Reginaldo Marinho, paraibano de Sapé, luta para colocar o Estado
da Paraíba no cenário nacional da inovação tecnológica

Fabíola Monte
Repórter

O sertanejo é acima de tudo um forte. A citação de Euclides da Cunha em “Os Sertões”, parece se encaixar perfeitamente na personalidade de todos os nordestinos e principalmente na do obstinado paraibano de Sapé,Reginaldo Marinho, inventor dos bons, que não desiste do sonho de colocar a Paraíba no cenário nacional da inovação tecnológica, sem perceber que já a colocou no internacional, quando ganhou, no ano passado, a medalha de ouro do 28º Salão de Invenção de Novos Produtos da Europa, em Genebra, onde concorreu com mais de 600 inventores de 44 países, e também em outra oportunidade, quando abiscoitou outra medalha de ouro no “BBC Tomorrow’s World Live”, em Londres.

Depois de todas essas conquistas lá fora, ele agora quer expor à intelectualidade paraibana, aos homens do governo e aos empre-sários locais o seu projeto de criação de “Núcleo de Gênios”, nos mesmos moldes do que ele já propôs ao Partido Forza Itália, vencedor das últimas eleições naquele país. A diferença é que o da Itália, semelhante ao que já existe nos Estados Unidos e Inglaterra, é de âmbito internacional, onde se investe na criação tecnológica, mesmo que seja desenvolvida por cidadãos de outros países.

O daqui reunirá cientistas e inventores brasileiros que não vem encontrando apoio para desenvolver suas experiências nos estados de origem, situação já experimentada pelo próprio Reginaldo Marinho, quando foi premiado fora do país, pela criação do Construcell, que ele não conseguiu colocar em prática por aqui, por falta de apoio governamental.

Na prática, o projeto propõe a criação de uma comissão composta por membros do Estado, Universidade Federal e Sebrae, que teria o encargo de analisar os projetos tecnológicos que fossem apresentados e verificar a viabilidade de desenvolvimento. Seriam levados em conta fatores como eficácia tecnológica, condições para execução e necessidades de mercado.

Para a viabilização do “Núcleo de Gênios”, Marinho sugere que se crie uma linha de crédito através do BNDES, nos moldes da que já existe, voltada para projetos de ge-ração de energia. “Se a idéia for acatada na Paraíba, isso dará uma dimensão nacional ao atual governo, e o Estado aparecerá na vanguarda nacional do setor tecnológico, sem falar que a implantação do programa vai puxar recursos federais e possibilitar geração de riquezas, de empregos e principalmente de auto-estima”, garante Marinho.

Uma vez implantado, o programa criaria uma espécie de distrito tecnológico, que serviria de sede às instalações físicas do “Núcleo de Gênios”, onde seriam desenvolvidos os projetos aprovados pela comissão de avaliação.

Marinho informou que já manteve contato com o reitor Jáder Nunes, da UFPB, tendo ele demonstrado interesse no projeto. O Sebrae e a Secretaria de Indústria e Comércio, segundo declarações de Reginaldo Marinho, também já manifestaram empenho em viabilizar o projeto, buscando parcerias. A Cinep teria sido outra convidada a se incorporar ao projeto do incansável inventor.

Construção inovada

A invenção do paraibano, ganhador de duas medalhas de ouro no exterior, trata-se de um sistema de construção baseado em módulos de prismas, com o qual se pode construir grandes vãos, como galpões, silos, academias, ginásios e abrigos, sem utilização de nenhuma estrutura convencional (concreto, madeira e metal).

Ele utiliza tecnologia e instrumentos de engenharia mundialmente conhecidos desde os etruscos. “Como o arco de compressão, que já era empregado pelos etruscos e romanos nas mais diversas construções, como palácios, pontes e catedrais. Sempre com o objetivo de permitir que cada bloco pressionasse um outro, para a construção ganhasse muito em compressão e evitasse o risco de cair”, explica Marinho. Ele esclarece ainda que outro fundamento da engenharia utilizada nos Construcell é a treliça, que dá às construções uma estrutura muito rígida.

Do ponto de vista econômico, a vantagem oferecida pela estrutura de policarbonato é que qualquer construção de armazéns, silos, hangares, edifícios e casas populares custaria 30% a menos que as construções com estruturas convencionais, sem contar que, por levar para a obra exatamente o número de peças que vai utilizar, não existe sobra de materiais e após o final da construção, o lugar fica limpo.

“A atração de cérebros mudaria radicalmente a situação da produção científica e do patenteamento de invenções no país”, explica Marinho, afirmando que o Brasil sofre de falta de vocação para desenvolvimento de tecnologia própria. “Em 1999 a Fundação Getúlio Vargas apresentou uma pesquisa inédita, onde números apontaram para o atraso tecnológico do Brasil. Só para se ter idéia do desinteresse político brasileiro em desenvolver tecnologia, enquanto os Estados Unidos movimentaram 4% do seu PIB (Produto Interno Bruto) com exportação e importação de tecnologia, o Brasil ficou na casa dos 0,005%” ressalta. Outro dado informado pelo inventor é o da situação dos cientistas. Enquanto 30% deles estão nas universidades americanas e 70% nas empresas privadas, no Brasil, 90% dos cientistas encontram-se nas universidades e apenas 10% estão na iniciativa privada.

“No relatório da Inventiva Nacional, produzido pelo Ministério da Indústria e Comércio, foi revelado que em nove anos, os 14 centros de pesquisa investigados produziram apenas 112 patentes, sendo que 60% são do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) e dividindo-se o restante pelas outras 13 instituições teremos 0,3 por ano, por instituição”. Reginaldo expõe esses dados para demonstrar através de números o “profundo desinteresse brasileiro por criação de tecnologia”.

Segundo divulgou a Revista Veja, recentemente, a situação da Coréia do Sul, vinte anos atrás, era semelhante a do Brasil, em processos tecnológicos. Os dois países tinham quase exatamente o mesmo número de patentes depositadas nos Estados Unidos: em torno de trinta. No ano passado, o Brasil possuía 96, enquanto a Coréia havia ultrapassado a marca das 3 mil. E Reginaldo Marinho vai além. “Temos mesmo casos escandalosos de descobertas e invenções feitas por brasileiros, expropriadas e exploradas indevidamente por empresas e grupos internacionais, sem que nosso governo esboce sequer uma reação de protesto”.

Um inventor brasileiro para o mundo

sábado, junho 19th, 2010
Domingo, 7 de maio de 2000                                 JORNAL DO BRASIL
Um inventor
brasileiro
para o mundo

Paraibano é premiado e negocia na
Europa com estruturas de plástico para
a construção civil, desprezadas no Brasil
ARAUJO NETTO
Correspondente

Foto de Divulgação

ROMA – Cansado de ser esnobado por homens de governo e empresários do Brasil, o inventor Reginaldo Marinho decidiu procurar no exterior o que seu país lhe negou. Contraindo uma dívida que continua a lhe tirar o sono, mandou-se para Genebra, na Suíça, para participar do importante Salão Internacional de Invenções da Europa, realizado entre os dias 12 e 16 do mês passado. Ao término do qual se encontrou com uma medalha de ouro conferida por um júri internacional, uma oferta de um milhão de francos suíços que lhe foi feita pelo Fundo de Desenvolvimento Tecnológico (Fondetec) da Organização de Promoção Industrial do Cantão de Genebra para viver e trabalhar na cidade e propostas de quatro grandes empresas européias (três italianas e uma francesa) para transformar em tecnologia o método revolucionário que inventou e denominou Construcell, de construção celular. Além de convites para visitar a África do Sul e a Austrália, onde também encontrará gente interessada em negociar a aplicação do seu método.

Alternativa – Método que possibilitará a construção de todo tipo de casa, edifício e instalações esportivas ou industriais sem as estruturas até aqui usadas em todo o mundo: as convencionais estruturas metálicas, de cimento armado ou de madeira. O brasileiro propõe estruturas de plástico como alternativa mais econômica e mais racional, pois evitará o desperdício de material: “Você leva para a obra só as peças que serão utilizadas.” A montagem das construções será mais rápida, realizada por mão-de-obra mais reduzida, vantagens que facilitarão principalmente a implantação de projetos emergenciais em casos de catástrofes e abalos sísmicos que demandam a rápida construção de abrigos.

No Brasil, o melhor que Reginaldo obteve depois de um ano (1999) perdido em peregrinações a ministérios, universidades, centros técnicos, governos estaduais, institutos de pesquisas tecnológicas e vários empresários nacionais e multinacionais foi um convite para trabalhar como gerente comercial – “na verdade um cargo de vendedor de luxo” – de uma indústria baiana à qual ofereceu a possibilidade de decuplicar sua produção de policarbonato (resina termoplástica sintética) financiando a construção de um protótipo da mais recente de suas invenções, já comparada a um novo ovo de Colombo.

Exílio – Antes de tomar a decisão de procurar no resto do mundo o que não encontrou no Brasil, Reginaldo fez tudo para não se afastar de casa percorrendo pela segunda vez a estrada do auto-exílio. Experiência que tinha feito entre 1977 e 79, quando a ditadura militar o incentivou a viver em Barcelona. Uma de suas últimas e desesperadas tentativas foi uma carta enviada a 22 de setembro de 1999 ao presidente Fernando Henrique Cardoso. “Com todo respeito, Excelência, acabou a minha paciência. Depois de bater em tantas portas, todas fechadas e bem travadas, optei novamente pelo exílio voluntário. Na primeira vez, como Vossa Excelência também o fez, foi por discordar de uma ditadura militar e agora por discordar de uma ditadura monetarista que impede o desenvolvimento nacional”.

Hoje, discutindo com os europeus, sul-africanos e australianos as melhores condições para o desenvolver sua invenção, Reginaldo perdeu a esperança de receber uma resposta qualquer do presidente.

“O Brasil é um país que não valoriza a tecnologia nacional. Quando muito, os recursos governamentais são destinados a pesquisas acadêmicas. Quando se trata de transformar em tecnologia o resultado das pesquisas, o Brasil prefere não dar o passo seguinte. Eu estive no Ministério da Tecnologia, em Brasília, onde mostrei e expliquei o meu projeto. Todos se disseram encantados mas logo me fizeram saber que o governo só podia financiar até onde eu havia chegado, isto é, o que já existia. Daí para a frente eu teria que buscar a empresa privada. Busquei várias. Em todas elas bati com a cabeça na parede.

Inspiração etrusca

ROMA – Antes de embarcar para Milão e Bolonha, onde o esperavam dois empresários italianos dispostos a se associarem a ele na fase de industrialização e comercialização das casas, edifícios, ginásios, armazéns e hangares arredondados, triangulares e cilíndricos, construídos sobre suas inéditas estruturas de policarbonato, Reginaldo Marinho, paraibano nascido há 50 anos na pequena Sapé (“pátria de abacaxi bom”), no qual muitos vêem um sósia do ator escocês Sean Connery, aceitou o convite para explicar mais detalhadamente sua invenção.

“Tenho um amigo, muito generoso, que me considera o descobridor do segundo Ovo de Colombo, porque uso tecnologia e instrumentos de engenharia mundialmente conhecidos desde os etruscos. Como o arco de compressão, que já era empregado pelos antigos etruscos e romanos nas mais diversas construções, como palácios, pontes e catedrais. Sempre com o objetivo de permitir que cada bloco pressionasse um outro, para que a construção ganhasse muito em compressão e evitasse o risco de cair.”

O inventor explica que outro fundamento da engenharia utilizado na tecnologia por ele projetada é a treliça, que dá às construções uma estrutura muito rígida. “Juntando-se o arco de compressão à treliça, temos como conseqüência uma figura muito sólida, portanto muito moderna, apesar de inspirada em um conhecimento muito antigo. Chamamos de treliça um elemento estruturado com uma forma triangular.”

Essa forma, prossegue Marinho, faz com que a distribuição da carga se faça por todas as partes do triângulo. Nessa tecnologia já está embutida também um colchão de ar, que lhe assegura um perfeito isolamento térmico e impede a interação do calor interno com o externo. “Do ponto de vista econômico, as vantagens oferecidas pelas minhas estruturas de policarbonato podem ser consideradas excepcionais”, vangloria-se. “Qualquer construção de armazéns, silos, hangares, ginásios, edifícios e casas populares custaria no mínimo 30% a menos que as construções com estruturas convencionais”.

Em Genebra, os dois jurados do Salão Internacional das Invenções que examinaram, discutiram e questionaram Reginaldo Marinho sobre cada premissa, teoria e cálculo de sua “Construcell” – já patenteada em 32 países – foram convencidos pelo inventor brasileiro sobre a possibilidade de empregar seus módulos prismáticos de plástico nas construções de silos, galpões, estufas, ginásios esportivos e até de casas populares.

(A.N.)

Sem vez no país

ROMA – Sobre as dificuldades encontradas, Reginaldo Marinho pergunta: “Isso não ocorreria porque o Brasil continua a ser ‘um deserto de homens e idéias, onde nada se cria e tudo se copia’, como o definiu há mais de 50 anos Oswaldo Aranha, um dos políticos mais inteligentes de seu tempo? Porque a verdade é que o empresário brasileiro não gosta de pagar imposto e muito menos royalties. O empresário brasileiro talvez seja o mais ‘globalizado’ do mundo. A ele não importa que nos últimos cinco anos o país tenha aumentado oito vezes os gastos com a importação de tecnologia. Segundo dados do IPEA, atualmente o Brasil gasta mais de US$ 1 bilhão por ano em importação de tecnologia”.

O inventor prossegue: “Hoje temos milhares de pesquisadores e inventores em atividade por todo o país, isolados, sem qualquer apoio governamental, financiando-se com seus próprios recursos – criando produtos e tecnologias sem a menor possibilidade de viabilizá-los. Temos mesmo casos escandalosos de descobertas e invenções feitas por brasileiros, expropriadas e exploradas indevidamente por empresas e grupos internacionais, sem que nosso governo esboce sequer uma reação de protesto. Casos como o da longa pesquisa do professor Sérgio Ferreira sobre a influência do veneno da jararaca no organismo humano. Veneno que ele, presidente por duas vezes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, identificou depois de sintetizar seu princípio ativo, como um valioso medicamento para o coração, um eficiente vasodilatador.

Resultado que o professor Ferreira divulgou e uma poderosa indústria farmacêutica patenteou como de sua propriedade e transformou num remédio que hoje lhe rende US$ 2 bilhões por ano. Outro caso penoso e ao mesmo tempo risível é o da invenção do Bina, um instrumento identificador de chamadas que hoje se encontra em todos os telefones celulares e movimenta um mercado de US$ 8 bilhões em todo o mundo. Bina que foi descoberto, produzido e até patenteado no Brasil por Nélio Nicolai, brasileiro, residente em Brasília, vítima como tantos outros da falta de órgãos preparados e capazes de proteger a patente nacional brasileira.”

Por tudo isso, a conclusão do paraibano Reginaldo Marinho, autodidata que chegou até o terceiro ano da faculdade de Engenharia e até o segundo da de Arquitetura, é a de que o descaso do Brasil pela tecnologia brasileira se deve unicamente à preguiça e ao comodismo das suas lideranças políticas e econômicas. (A.N.)

Inventor tenta recursos para montar casa de plástico

sábado, junho 19th, 2010

Gazeta Mercantil Distrito Federal

Brasília, terça-feira, 10 de dezembro de 1998 

Inventor tenta recursos para montar casa de plástico

Fernanda Lambach

Silos, galpões, hangares, estufas, ginásios e até casas populares podem ser construídas com plástico (policarbonato). Além de muito resistente a impactos, a resina pode tornar o preço das obras mais barato. É o que garante o autor do projeto, o inventor paraibano Reginaldo Marinho. Autodidata, ele iniciou os cursos de Engenharia na Universidade Federal da Paraíba, Arquitetura na Universidade de Brasília (UnB) e Comunicação no Ceub, mas não se formou em nenhuma das três áreas. Diz ter preferido a liberdade da criação à burocracia acadêmica.

Bastante polêmico, o inventor estará debatendo seu projeto hoje, a partir das 16h, no anfiteatro do Departamento de Engenharia Civil da UnB. O nome da conferência é “Construção de Cascas Auto-Portantes com Módulos Prismáticos de Policarbonato”.

As construções idealizadas por Marinho seriam formadas por módulos prismáticos com três lados de 50cm (a base é um triângulo eqüilátero) e 10 cm de profundidade. Emendados como em um mosaico, presos geometricamente uns aos outros por parafusos ou solução que os cole definitivamente (cloreto de metileno). A inclinação e uma das faces dos módulos é o que garante a convergência da estrutura para um eixo central, dando aspecto arredondado à construção e a sustentando. No caso dos prismas serem montados com parafusos, em construções móveis, Marinho sugere que as faces das estruturas sejam vedadas com substâncias à base de silicone para evitar possíveis problemas com goteiras, por exemplo.

O inventor ainda não conseguiu recursos financeiros para fazer um protótipo. Segundo ele, o maior problema é que a construção das cascas não pode ser feita em escala reduzida, em uma primeira experiência. “Em escala reduzida não há como garantir a precisão angular que sustenta a construção”. Enfatiza Marinho. Um primeiro teste teria de ser feito em construção de no mínimo 12m por 10m.

Falta porém, quem patrocine os moldes em aço que servirão de forma para os primas em resina. Os moldes têm de ser cortados com exatidão de acordo com as medidas estabelecidas por Marinho. A máquina ideal para fazer o corte é a fresa digitalizada, que o inventor não sabe onde conseguir nem tem recursos para adquirir.

Com os moldes prontos, o problema do protótipo estaria resolvido. Marinho diz ter relacionamento com empresas de São Paulo que poderiam alugar máquinas injetoras de resina para fazer os prismas. Seriam necessários 12 Kg de policarbonato por metro quadrado e o metro quadrado da construção sairia por aproximadamente R$ 160.

“Escolhi o policarbonato por ser uma resina resistente, que é usada pela Polícia Militar de choque nos escudos de proteção. Um escudo de 3mm de policarbonato resiste a um disparo de revolver calibre 38, segundo a fábrica. Um vidro à prova de balas de 10mm de policarbonato segura o disparo de fuzil AR-15”, conta Marinho.

Com relação ao calor que poderia fazer dentro de uma construção de plástico, o inventor garante que a superfície for opaca e não deixar os raios solares passarem, não há tanto risco. Outra idéia seria usar técnica de refrigeração por energia solar elaborada pelo tenente coronel Nehemias Lima Lacerda do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), localizado em São José dos Campos (São Paulo).

Nehemias relata que só terminará de desenvolver a novidade em 1999. Diz ter conhecido o projeto de Marinho e achá-lo viável. ”É necessário, no entanto, fazer um estudo aprofundado e um modelo para checagem.

Em busca de apoio financeiro, Marinho apresentou seu projeto ao secretário de Tecnologia Industrial do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo, embaixador Oscar Souto Lorenzo Fernandez. “O Marinho tem um invento muito inovador, mas o governo federal não pode financiá-lo. O ideal seria que ele procurasse apoio na iniciativa privada”, afirma Fernandez. O embaixador lembra também que sem demonstrações de campo completas não há como avaliar a relação custo-benefício.

Núcleo de gênios

sábado, junho 19th, 2010

Gazeta do Nordeste, Segunda-feira, 27 de agosto de 2001

Inventores querem criar ´núcleo de gênios´

 

Idéia é reunir, em um único local, cientistas que não possuem apoio para desenvolver experiências em seus estados de origem

Patrícia Teotônio* de João Pessoa

O inventor paraibano Reginaldo Marinho apresentará ao Governo do Estado um projeto para a criação de um ´núcleo de gênios´, que reunirá cientistas e inventores brasileiros que não vem encontrando apoio para desenvolver suas experiências em seus estados de origem. Reginaldo Marinho, ex-presidente da Associação Brasileira de Inventores e da Propriedade Industrial, conquistou prêmios internacionais ao desenvolver uma nova tecnologia para o setor de construção civil, mas como muitos outros profissionais, não conseguiu colocar sua invenção em prática por falta de apoio do governo brasileiro.

Marinho informou que já manteve contato com o reitor da Universidade Federal da Paraíba, Jader Nunes, e que este teria demonstrado grande interesse em apoiar a idéia. Na Alemanha, uma iniciativa semelhante a este projeto já está em desenvolvimento.

Marinho defende a criação desse ´núcleo de cérebros´ porque acredita que isto mudaria radicalmente a situação da produção científica e do patenteamento de invenções no País. O Brasil, que detinha cerca de 30 patentes aprovadas há 20 anos nos Estados Unidos, hoje contabiliza apenas 96, enquanto países como a Coréia, que se dispuseram a investir mais nesse setor, já soma cerca de 3.200 aprovações.

A produção tecnológica brasileira é insignificante e apresenta um índice vergonhoso no que se refere à aprovação de patentes. A situação é tão caótica que as instituições públicas recebem recursos que chegam atingir 1,4% do PIB nacional e obtêm uma conversão de 0,3 patentes anuais por cada núcleo produtor. Isso é um absurdo´, denuncia.

Na prática, o projeto propõe a formação de uma comissão composta por membros do Estado, Universidade Federal e Sebrae. Essa comissão ficaria encarregada de analisar todos os projetos tecnológicos que fossem apresentados e verificar a viabilidade de desenvolvimento. A análise levaria em conta fatores como eficácia tecnológica, condições para execução e necessidades de mercado.

Para viabilizar os projetos, Marinho sugere que se crie uma linha de crédito através do BNDES. ´O banco já tem uma linha para o desenvolvimento tecnológico, mas voltada principalmente para projetos de geração de energia. ´O governo que implantar esse programa estará na vanguarda de uma postura que ajudará no desenvolvimento do Estado e do País, e que é inevitável, pois a expansão tecnológica é uma tendência mundial´, explica.

Distrito

Uma vez implantado, o programa criaria uma espécie de distrito tecnológico, onde ficariam as instalações físicas para o desenvolvimento dos projetos aprovados pela comissão de avaliação e, posteriormente, poderia alcançar tanto respaldo quanto o Pólo de Informática de Campina Grande.

Marinho informou que já entregou um resumo do projeto do núcleo de gênios ao presidente da Cinep (Companhia de Desenvolvimento da Paraíba), Edivaldo Nóbrega, que se encarregará de apresentar ao governador José Maranhão.

Segundo o pesquisador, as estatísticas do país em relação a produção tecnológica são bastante desanimadoras. ´A produção científica brasileira atinge apenas 1% da produção mundial e essa posição identifica que o Brasil tem um comércio mundial de tecnologia equivalente a 0,005% do PIB nacional, enquanto nos EUA a comercialização de tecnologia equivale a 4% do PIB americano´, compara. Na América, 30% dos cientistas estão atuando nos centros de periferia e 70% no setor privado. No Brasil ocorre o contrário e 90% dos cientistas encontram-se atuando nas instituições públicas.

A iniciativa quer evitar casos como o do próprio Marinho, que desenvolveu o Construcell, um sistema de construção que utiliza estruturas de plástico mais baratas em relação às  convencionais, de madeira, metal ou cimento armado. O projeto não recebeu apoio do governo brasileiro, mas foi premiado em Genebra e provavelmente será desenvolvido na Itália. O novo produto combate também o grande inimigo da construção civil – o desperdício (box ao lado).

* Especial para a Gazeta do Nordeste

Construcell ganha prêmio internacional

O Construcell utiliza dois fundamentos da Engenharia: a treliça e o arco de compressão, permitindo a construção de grandes vãos sem usar nenhuma estrutura metálica ou de concreto, com as características de cascas cilíndricas.

Os módulos são construídos em polímeros injetados, com patente requerida no Brasil e em mais de 32 países, em forma de prismas triangulares, auto-estruturados, cujo fundo é um triângulo eqüilátero, com duas faces ortogonais e a terceira inclinada com relação à base. Esta inclinação é que definirá a curvatura cilíndrica. O tamponamento desses prismas cria um colchão de ar e oferece ótimo conforto térmico

As resinas modernas podem ser protegidas contra as ações dos raios UV e do fogo, tornando essas construções bastante seguras, muito leves e belas. Pode-se usar pigmentos de cores variadas, podendo ser transparente como o policarbonato em seu estado original.

Os módulos, fabricados em plástico, são articulados e foram desenhados para resistir a ventos até 120 km/h e na Análise Estrutural, foram obtidos coeficientes de segurança superiores a 2.8

Na verdade, o Construcell assimila-se a um lego (jogo de encaixe para crianças), só que em grandes proporções. Como as peças se encaixam umas nas outras, e não são quebradas, não há sobras e, conseqüentemente, desperdício.

Com esse tipo de material é possível construir galpões, casas e vários tipos de edificações. ´A montagem é rápida e realizada com mão-de-obra reduzida, vantagens que facilitam principalmente a implantação de projetos emergenciais em casos de catástrofes e abalos sísmicos, que demandam a rápida construção de abrigos´, ressaltou Marinho.

Embora não tenha obtido nenhum  apoio para concretizar sua invenção no Brasil, Reginaldo conseguiu o reconhecimento no mercado europeu. e ganhou medalha de ouro, no ano passado, no Salão Internacional de Invenções da Europa, realizado na Suíça. Recebeu, ainda, oferta do Fundo de Desenvolvimento Tecnológico (Fondetec), de Genebra, e propostas de empresas européias, da África do Sul e da Austrália.

Entre as opções, preferiu ir para a Itália, onde espera conseguir desenvolver sua tecnologia com o apoio de empresas de lá. Ele informa já ter recebido um pedido de orçamento feito pela prefeitura de Milão e espera fechar contrato para fazer a primeira construção em policarbonato do mundo. (P.T.)

Invenção é coisa séria

segunda-feira, maio 17th, 2010

Por Eliane Cantanhêde

Durante anos, um sujeito simpático perambulou por ministérios, órgãos públicos, empresas e redações tentando convencer as pessoas de duas coisas: de que não era meio pirado e de que sua invenção era coisa séria. Não conseguiu.

Pois em poucas semanas na Europa conquistou o reconhecimento que seu próprio país lhe negou e um prêmio para esfregar na cara de todo mundo, inclusive na minha. O sujeito é o paraibano Reginaldo Marinho que estudou três anos de engenharia e dois de arquitetura, mas nunca se formou. Seu sonho era ser inventor. Sabe-se agora que a sua vocação, também.

Ele ganhou nada mais nada menos que a medalha de ouro do Salão Internacional de Invenções da Europa, em Genebra, concorrendo com mais de 600 “malucos” de 44 países. Já tem convites de institutos da Inglaterra e da Polônia para expor seu projeto e de quatro empresas européias para desenvolvê-lo e comercializá-lo.

Trata-se do “Construcell”, estrutura de plástico em forma de prisma para galpões, silos, academias, ginásios, ou abrigos. Hoje, os materiais desse tipo de obra são concreto, metal ou madeira. Ele criou uma opção mais leve, mais prática, mais barata. O Brasil, público e privado, nem sequer se dava ao trabalho de ver.

Essa história lembra a do Bina, o aparelho que identifica a origem de ligações telefônicas. Seu inventor foi um brasileiro, Nélio Nicolai, que não ficou com o mérito e nem lucra um centavo dos US$ 8 bilhões que sua idéia movimenta por ano no mundo.

Num país em que selecionar, reconhecer e principalmente financiar projetos acadêmicos já é um parto, imagine os projetos de autodidatas visionários. Por trás de cada um deles, entretanto, pode haver uma surpresa e uma nova tecnologia.

Governo, iniciativa privada e jornalistas, como eu, pecamos pela omissão. Parabéns, Reginaldo Marinho! E mil desculpas para você e os pirados como você.

Fonte : http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1405200004.htm